Vou para o MUNDO!

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Sempre me escondi do mundo e creio que ainda me escondo…

Quando entrei no mundo corporativo, era uma grande sonhadora…ainda sou! Porém, agora consciente.

Uma boa formação, trabalho duro e acreditei que chegaria lá. Mas, quando se é mulher e negra há algumas barreiras; sejam impostas por outros ou por si mesma. Sim! você se limita.

Sempre acreditei que as coisas eram difíceis por ser negra. Mas, entrei em lugares que outros de minha raça não entraram, alcancei um status que outros não alcançaram e mesmo assim me sentia incompleta e infeliz por não ser o que tanto admirava. Uma LÍDER!

Com o tempo aprendi que antes de liderar é preciso liderar-se. Que para ser promovido é necessário promover-se, e que para ser respeitado é essencial respeitar-se.

Como! Respeitar-se? Eu me respeito; claro! Pensava

Mas ao esconder quem era; a literalmente me encolher e não querer atenção a minha negritude feminina, me encontrei assim: insegura e infeliz.

A voz que se exalta em momentos tensos, se torna inaudível em uma conversa formal. O corpo que ergue ereto sobre os saltos altos, se encolhe e escorre pela cadeira no decorrer das horas.

(…) Odeio o que faço! Pensava. Ela odeia o que faz! Demonstrava meu corpo inconscientemente.

Vou para Austrália! Vou para terra do Nemo! Falei. Mas, já não ouvia, não queria mais ouvir. Seguia sem mim(…)

E agora aqui neste trem, penso: COMO queria ser vista, reconhecida, ouvida, AMADA, se sempre fuji e me escondi?

Há uma ferida por dentro que necessita ser curada. A consciência da cor, não. Mas a consciência do EU, a ciência do SER.

Não há nenhuma bondade em você se diminuir, recuar para que os outros não se sintam inseguros ao seu redor.

Nelson Mandela

E agora aqui no meio do caminho, escondida e com medo do mundo o qual tanto quis emergir… Modulo e aumento o tom para que possam me ouvir…PRECISO SAIR!

Vou para Austrália! LÁ SINTO…há coisas boas para mim (…)

Vou para Melbourne! Me encontrar, te encontrar, nos encontrar (…)

Vou para o país das cores. Achar o TOM, sair do CHÃO!

VOU PARA O MUNDO!

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Entre o real e o imaginário, me reconheço em Albert Camus: “Nunca me senti tão profunda e, ao mesmo tempo, tão alheia a mim — e tão presente no mundo”.

Vanessa (Veedeli)