‘Procura-se Carteiros’

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-Mas a entrega sempre foi assim! Dizia o poeta ao carteiro.

A forma do sentimento. É onde ganham cores, nas cartas que escrevo e das quais nunca obtive retorno. Nem uma carta de amor sequer, nem ao menos um bilhete. Lamentou-se o poeta, apenas silêncio (…)

-Ser antigo no amor é ser utópico e ultrapassado. Disse lhe o carteiro.

Creio meu senhor que ela seria conquistada, com aqueles jogos de sedução. Mas, com uma simples carta de amor, não! Ela já é poesia em si, vive pra si. É resultado, nunca foi causa!

-Mas, só a escrita me faz inteiro, intenso, aventureiro neste campo. Só assim sei jogar. Respondeu evergonhado o poeta.

-Você gosta de escrever! Disse o carteiro. É assim que sabe falar! E riu sarcásticamente.

(É quando sou somente eu!pensou pobre poeta. É quando sei quem sou).

-Mas, deixarei de lado as cartas. Disse agora em tom audível o poeta ao carteiro. Me despeço de seus serviços junto a palavra escrita.

-Bem, é como lhe disse: isso não vai dar certo, já tentei outras vezes. Para este tipo de entrega; não há carteiros! Disse-lhe sorrindo o carteiro e continuou… as cartas ficaram ultrapassadas neste século. E esse tal amor que você fala; também.

Parou. Olhou para cima, voltou-se para o poeta sorrindo e disse:

-Não precisamos mais dos seus serviços poeta. Não precisamos disse balançando a cabeça para os lados. Não precisamos repetiu pela terceira vez…

Sua mente está bem?!.

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Entre o real e o imaginário, me reconheço em Albert Camus: “Nunca me senti tão profunda e, ao mesmo tempo, tão alheia a mim — e tão presente no mundo”.

Vanessa (Veedeli)