
Estava sentado no trem. Na linha amarela, passou da verde. Não conhecia o caminho, ficara perdido.
Estava sentado no trem, observando as tranças enfeitadas da moça negra de pantalona preta. E ali sentado observou a outra negra que entrava. Era corpuda a moça! Cheia de curvas volumosas em roupa de academia, bebia água. E ele seguia com o olhar junto ao homem branco parado ao canto. Tinha a pele lisa, apliques cacheados tingido de loiro nas pontas preso em cima solto em baixo em um semi rabo de cavalo. E “ele” Mathias olhava …da moça ao homem branco parado ao canto olhando boquiaberto a negra loira.
De pé encostado na parede do trem com óculos redondos estava um rapaz de “short dreadlocks”. Tomando sorvete distraída, sentada no banco de coque nas tranças estava a menina de blusa vermelha; com a colher na boca virada pra baixo parava, olhava pra cima, e se distraia mais ainda. Um senhor de 40 anos olhava os trilhos da janela com a cabeça colada ao vidro e ele Mathias cansado no banco, observava a todos.
Na Paulista… se foi a semi loira da academia, na república esfriou e a moça de pantalonas colocou seu casaco vermelho minutos antes de descer juntos aos óculos e “Dreadlocks” e Mathias pensava consigo: era a primeira vez que aquela cor lhe parecia bela que sentia-se assim; em outro mundo… MUNDO NEGRO!. Primeira vez que via. SIM! Que se via PRETO. E pensou consigo: Essa cor negra é bonita! Tem detalhes nos cabelos, na pele, no jeito, no sorriso da menina do quiosque de pão de queijo, na senhora mestiça de pele escura e cachos soltos…que DETALHES!
E na estação fim LUZ se viu assim; homem feito branco social naquele mar de gente, se admirando negro.
PRIMEIRA VEZ QUE SE VIA! QUE SE VIU NOUTROS!
E como era bonita sua cor! SE ADMIROU; era bonita sua cor! Se CONSCIENTIZOU (…)
NEGRO SOU!.
Olhou pra si recém descoberto contraste (…)
Negro SOU! Pensou (…)
NEGRO SOU!


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