Há tempos não escrevo. Penso, penso, penso. Há tanto o que fazer, o que cuidar, o que resolver, ver, ser, que não há tempo para escrever.
Deixei meu país para trás. E quanta falta eu sinto.
Nunca imaginei que um dia sentiria saudades de casa. Terra das bananas — minhas preferidas, prata e pequenas. Aqui não tem. Só as gigantes e doces, que estragam na fruteira.
Sinto falta do feijão, do verdadeiro tempero brasileiro, das coisas que minha mãe fazia. Sinto falta das pessoas. Mas sinto falta, ainda mais, da comida, dos sorrisos, do calor, do falar alto sorrindo, do compartilhar. Dos abraços e beijinhos, rsrs. De poder segurar as mãos das pessoas com as duas mãos, como no Nordeste. Do feijão preto e da feijoada de quarta-feira. Até dos meus vizinhos bisbilhoteiros, rsrs.
Sinto falta da minha gata me acordando bem cedinho, lambendo minhas mãos aos pés da cama. Dos meus poucos amigos. Da minha família.
Um dia, eu estava com SDA — síndrome do abraço. Em um evento, abracei todo mundo: orador, plateia, familiares, desconhecidos. E percebi que era apenas saudade dos amigos. Os verdadeiros. Que ficaram no meu país.
Todos pensam que sambo, que meu cabelo é dread, que ouço reggae, que fumo cannabis.
Mas não. Sou mesmo é careta. Só prefiro a mesa: a mesa posta no fim da tarde, seja com uma parmegiana bem servida no Universal, seja com a salada de batata com maionese que fiz esses dias por aqui.
Nem o sol daqui é igual. O sol é frio. O tempo é frio. E alguns indianos — não todos — não olham no seu rosto; andam sempre de cabeça baixa, especialmente os que ganham pouco.
O mar daqui também não é igual. É frio. É lindo — nem todos —, mas é frio. E isso se aplica a todos.
A praia é limpa, rsrs. Nada de farofa, quiosques, cadeiras pagas, guarda-sol, vendedor ambulante. Nada disso. Aqui tem chuveiro de água aquecida, porque a do mar — essa é fria.
E mesmo às 20h30 da noite, aqui ainda é dia. É verão, e chove, esfria e venta todos os dias. Podemos ter quatro estações em um só dia. Mas o povo, o verdadeiro povo australiano, é quente — não como o do Brasil ou da Colômbia.
Eles são diferentes. Receptivos, pacientes, educados. Até as pessoas mais estranhas que você conhece são cultas. Todos estudaram.
Muitas histórias, sim. Muitos sorrisos. Muitos flertes. Mas, ainda assim, não é quente como o meu país.
BRASIL.

"Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá."


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