Casa de bairro, piscina de barro

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O vento zunia e dobrava as árvores. O céu negro e cinzento clareava de forma aterrorizante. A chuva caía e, em questão de segundos, a água inundava as pequenas casinhas.

Mãe, pai, filho, tio, prima, sobrinho, amigos e inimigos. Todos, em um ato de heroísmo, com seus baldinhos, lutavam contra a água que já chegava aos joelhos: uma verdadeira piscina de barro. Inimigos se amontoavam ao lado de amigos para salvar os inundados. A chuva continuava a cair, agora um pouco mais fraca.

Na casa mais atingida havia uma multidão — curiosos e ajudantes. Chinelos de dedo, bermudões, baldinhos, todos unidos em um só objetivo. Foi questão de segundos, e a chuva desgraçada reuniu meio mundo.

As garças gritavam, os sapos cantavam, enquanto aquela pequena multidão se unia mais e mais. Eu, adolescente, os observava naquela união, naquele esforço, naquela felicidade pelo pouco que conseguiam — e a casa, indiferente a tudo, continuava a se inundar…

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Entre o real e o imaginário, me reconheço em Albert Camus: “Nunca me senti tão profunda e, ao mesmo tempo, tão alheia a mim — e tão presente no mundo”.

Vanessa (Veedeli)