O Homem da Cabeça de Papelão
Deste não me lembro o autor,
Construiu em si uma cabeça oca e vazia,
Uma cabeça de papelão.
Para enfim sair da margem social,
Perdeu sua identidade, sua autenticidade,
Deixou para trás sua meia pessoa,
E, como Drummond, entrou num impasse:
Devia fazer sua escolha.
Mas, como?
Meia pessoa ou meia alma?
Meia máquina de uma sociedade,
Meio soneto, meia sonata,
Compassada em seu ritmo compassado,
Como o trem em que vivemos,
Frios como o usado metal da construção,
Pesados em cada miligrama.
Mas o homem que perdeu a cabeça
Preferiu a de papelão. Esta era melhor:
Sob medida, Impessoal e descaracterizada.
Perfeita.

“Poema de caráter discursivo, inspirado na análise do poema Verdade, de Carlos Drummond de Andrade, e no conto
O Homem da Cabeça de Papelão , de João do Rio.”


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