Construção ou Desconstrução: O Homem da Cabeça de Papelão

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O Homem da Cabeça de Papelão

Deste não me lembro o autor,

Construiu em si uma cabeça oca e vazia,

Uma cabeça de papelão.

Para enfim sair da margem social,

Perdeu sua identidade, sua autenticidade,

Deixou para trás sua meia pessoa,

E, como Drummond, entrou num impasse:

Devia fazer sua escolha.

Mas, como?

Meia pessoa ou meia alma?

Meia máquina de uma sociedade,

Meio soneto, meia sonata,

Compassada em seu ritmo compassado,

Como o trem em que vivemos,

Frios como o usado metal da construção,

Pesados em cada miligrama.

Mas o homem que perdeu a cabeça

Preferiu a de papelão. Esta era melhor:

Sob medida, Impessoal e descaracterizada.

Perfeita.

“Poema de caráter discursivo, inspirado na análise do poema Verdade, de Carlos Drummond de Andrade, e no conto
O Homem da Cabeça de Papelão , de João do Rio.”

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Entre o real e o imaginário, me reconheço em Albert Camus: “Nunca me senti tão profunda e, ao mesmo tempo, tão alheia a mim — e tão presente no mundo”.

Vanessa (Veedeli)