Da janela de meu quarto

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Da janela de meu quarto

O que vejo da janela de meu quarto? Não muito. Não a abro; e, se abro, não olho. Já sei o que há ali embaixo, ou de frente. O que vejo todos os dias, ao abri-la inconsciente, é o que há: um estreito corredor por onde passam duas vira-latas correndo — uma preta com uma mancha branca, e outra branca. Ficam ali, pulando, debaixo da janela, com as patas na parede, só para que eu brinque com elas. Mas sempre ignoro: estou ocupada ou distraída demais para brincadeiras.

É isto o que vejo da janela de meu quarto; nada mais: muro, cachorros. Uma barreira enfeitada por onde algo ignorado atravessa.

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Entre o real e o imaginário, me reconheço em Albert Camus: “Nunca me senti tão profunda e, ao mesmo tempo, tão alheia a mim — e tão presente no mundo”.

Vanessa (Veedeli)