E qual a origem do “meme” puro racismo ao ver uma pessoa negra em uma faculdade pública.
Cansada pegou o trem na estaçao do Tatuapé sentido Luz.
Sentou-se. Viu um homem e um rapaz aproximar-se e sentarem no banco em frente a si.
Abaixou a cabeça e dormiu. Virara a noite trabalhando.
1 estação. Chegou na Luz levantou a cabeça e viu o post sendo feito frenéticamente.
“Ninguém mandou dormir!”. Ele disse.
Mensagem enviada no Whatsapp.
Risos, chingos, perseguições diárias… seguiu-se. Nega, Nega, Nega feia
E assim como no telefone sem fio, o perseguido virou vilão. Nada falou. Nada retrucou. Somente com o olhar se impos. Fiquem longe!. Mas a perseguiam até sua casa, no trem, na rua, na praia, nas montanhas, queriam mais conteúdo, para destilar seu racismo. Já não mais havia paz. Pois a paz que trouxeram consigo, a felicidade que havia em si era estranha e incomoda à que sempre ve sorrisos pretos subservientes. Porque não sorris?.
– Se não sorrir fica feia. Um menino branco me disse um dia.
Sempre sorri depois deste dia.
-Porém com os anos o sorriso acabou. Então, parei de sorrir a todos. Se tornou-me algo privado. Cedido aos poucos
– Sorriso era subserviência se servido à estranhos. Simpática ela diziam. Mas o sorriso programado. Já não mais o tinha em si. Estava fora da matriz.
Naquele dia ao ir tomar café na cantina. Não sorri ao menino branco em pé. Não o conhecia. Mas me desconfortava a cena de muitas pessoas juntas então seria fiquei. E meu desconforto o desconfortou.
-cabelo de bombril (disse o menino)
-fecha o beiço (disse a menina noutro dia)
-porque usar maquiagem
-olha a roupa dela. Ri por dias
Mas, Nada me movia. Depois de 6 anos longe de casa vivendo para sobrevivencia como imigrante. As vozes haviam sumido. E críticas eram compartimentadas e classificadas na caixa. [RACISMO]. E simplesmente deixadas de lado.
– Não contentes de minha genuína indiferença ouvi um dia
-A piada do ano Ha Ha Ha. (Dois rapazes branco). Também não os comhecia.
Ou a mais feia da escola. Etc, etc. Todos bem compartimentados na usual caixa.
Porém, para encobrir o racismo inicial, e a perseguição que se seguiu inventou-se a crítica estética. E se reclamar, é vítimismo. É “mimimi”. E se falar para se defender é vilã.
Mas tua opinião eu nunca pedi. Nunca me listei no concurso beleza do ano, da faculdade que iniciei pensando ser algo benéfico para embelezar a àrea arvorisada do bairro, quem assim sabe idosos não mais olhariam o lixo que se espalhava por todo o canteiro comunitário. Em troca virei meme. Reclusa em meio as perseguições diarias na comunidade a qual cresci. E vivi por mais de 30 anos.
E eu tão conciente de mim que sou. Quieta e de feições simples e traços negro…
Jamais nesta vida me atreveira a sentir me bela no país que a beleza tem cor. E é branca.
Nem comparação haveria em mimha mente que passou em sua maior parte lutando pr conseguir estudar, trabalhar, sobreviver.
Mas, eu me amava. E por descuido do tempo que longe vivi, deixei transparecer… o pecado que cometia de Amar se negra.
E agora tu me persegues, tiras fotos, corres atrás de mim como se famosa eu fosse. Gritas tua opinião não solicitada, despejas teu deboche desmedido. E eu me pergunto: em que momento me inscrevi neste concurso de beleza? Em que momento aceitei ser julgada, exposta e consumida como objeto público? Eu com meu perfil privado de 100 conhecidos e 3 amigos. E fotos de plantas.
Nem tudo é sobre aparência. Às vezes é racismo. E racismo puro. Às vezes é proibição silenciosa porém neste caso escandalosa de acesso, acesso ao lazer, à faculdade pública, ao espaço que “eles” não lhe consideras digno de estar, pois és negro. Às vezes é revolta projetada no corpo do outro. E assim entramos no jogo da sutil arte da manipulação moderna: Que transforma preconceito em piada, exclusão em meme, violência em entretenimento, humilhações diárias em excitamento, para justificar seus crimes.
Quem lerá os livros que li? Quem verá o esforço dobrado? Os altos e baixo da carreira de quem começou do zero? Quem enxergará a jornada inteira antes de reduzi-la a uma palavra, à uma imagem, a um riso nervoso? A um “meme” de alguém que não aprovou a divulgação e instrumentalização de sua imagem.
O desrespeito é gritante assim como os que andam a compartilhar a piada. E que não contente, com os risos escondidos, querem se mostrar, me perseguir. Orgulhosos de sua criminalidade racial.
E, como estoica, permaneço. Escuto a frustração humana ecoar contra minha existência. Minha presença te incomoda. Minha “inadequação” te irrita. Minha suposta “feiura” vira palco para teu riso.
Não lhe conheço. Somente me conheço.
Mas se ris porque estás nervoso? Porquê a raiva? Porquê a repetição diária?.
O riso da imoralidade não é tão leve assim, é estacado, forçado, vazio de alegria genuina e contagiante. Um HA HA HA que se perde e se estaca no ar. Porém, carregado de desprezo e preconceitos que nem sabias que tinhas.
E segues frustrado com um completo estranho, que silenciosamente escuta teus gritos que se perderem no ar e estacam seco 2 Ha. Enquanto continuas teu caminho, a gritar aquilo que achas que te faz bem, que reduz tuas inseguranças pessoais e intransferíveis, ainda és o mesmo. Grita e se cala. Segues como se algo tivesse ganhado.
Alguns poucos, amam a força a irreverência do “meme” e se inspiram e criam novos conteúdos sem expor o alvo. Pois o crime é sabido.
Vejo e rio e penso…. eu sou mesmo assim. Essa imagem me lembra de mim. Chora e se sente um pouco consolada. Pelo lado que a abraça. Tão irreverente como a si mesma. Se vê ali. Talvez me entendam…
E compartimenta o resto… pois o ódio sempre é mais forte. Especialmente agora que és vilã dos inocentes racistas zombadores [ Frustrado, Insegura, em busca de atenção, obssecado, debochado], e assim vai compartimentalizando afim de limpar e reduzir o eco mental que a coloca por noites em claro de puro pânico.
O insulto é repetido de forma frenética. Agora mesmo que não saibam são sim racistas e imorais. Bem-vindos! massa de peões e cavalos.
O ‘grande mestre’ deverás está feliz com a réplica de seu desmensurado ódio ao negro encoberto de humor seco…. Mas a vida no tabuleiro pertence a Dama… disperta, analítica e estrategista se desvia das armadilhas imposta. Solitária, joga em modo de defesa extrema.
E cavalos e peões secundarios para o conforto da própria mente preconceituosa, repetem a si mesmos e ao mundo, em gritos maquinários:
“Ela é feia. Nega feia. Nega horrorosa.”
Dia e noite. Noite e dia…
Se és boa, não lhes importa. Teu nome, tampouco. A verdade não lhes interessa.
A aparência é o que importa. Julgam sem escrúpulos. Porque, para eles, é inaceitável que o outro se ame. Que se goste por inteiro. Um insulto aos olhos narcisos que a veêm.
Quase como se fosse proibido — quando se é negro. Ser negro e se amar por inteiro.
Contanto que grites suas verdades não solicitadas. Acreditando que ao outro iras mudar, manipular ou subjulgar ao teu bel prazer… continuas a gritar…
E, depois de 300 anos, vemos que os senhores ainda querem se manter senhores. E os escravizados querem ser senhores — donos de seus próprios escravos agora de seus próprios “DEPÓSITO EMOCIONAIS”.
E negas o sangue negro que tens, porque a ti mesmo te vês branco de pele e feições um pouco mais escuras porém branco. Pois orgulho negro, este se exibe somente por conveniêcia e se vantajoso for. Pois és branco de mente.
E, nessa ilusão, segues, às 7h da manhã, em direção ao transporte público, rumo ao centro, de barriga e feições caídas, narcisos certos de sua verdade modulada para mais um dia de trabalho quase escravo. Porém pago — pois és mais claro que o “meme” e gritas mais uma vez para que se lhe venha o orgulho de sua imoralidade imputada por outrem.
-Nega feiaaa!
E a mulher estóica que a tudo ouve triste e confusa. Se volta aos livros temerosa do futuro, do mundo externo e diz para si, a beira do abismo mental ao qual luta só:
_Eu tenho um propósito.
Eu tenho um propósito…


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