
A tempestade falsa que se repetia por uma hora.
Frescor não havia. E, nesta apatia, encontrava-se Celina.
À espera da vida. Dispersa do mundo e imersa em si.
Tinha que levantar cedo. A diplomacia a chamava.
Mais um sonho a ser concretizado. Ser diplomata.
E a consumia, a preenchia, lhe dava a vida que o racismo tentara drenar diariamente.
Um dia serei diplomata, pensava.
Tentava conter a obsessão.
Mas sua fraqueza de alma dispersa ainda ia sem rumo, mergulhando para o lado das redes sociais:
diplo, TikTok, diplo, Insta, diplo.
Família, diplo, haters, diplo —
e assim seguia, sucessivamente, diariamente.
Dorme, garota. Amanhã será o dia.
Dorme, Celina, pois será um longo dia.
Gostaria de mais um medicamento.
Mas e se não pudesse levantar?
E se, de overdose, parasse o tão cansado corpo?
A geladeira se mostrava presente.
Tac.
E silenciava no escuro do pequeno quarto.
Serei diplomata.
Amanhã é um teste. Um dia importante.
Seria bom mais um remédio.
Este não é forte. Não me ajuda a dormir.
Não controla a realidade que grita enquanto estende as roupas de sábado no varal da casa.
O quarto era pequeno, mas era coberto.
Tinha pássaros, tinha vida.
Tinha silêncio.
Tinha Celina.
Viu algumas flores.
Pensou no seu amor.
No seu calmo e doce amor que deixou.
Amanhã será um grande dia.
Por favor… dorme, Celina.
Não escreva mais. Não divague mais.
Apenas durma, pois a chuva e a tormenta ainda tocam em seu headphone, chamando-a para o descanso necessário.
Boa noite, Celina.
Feche os olhos. Sorria.
Amanhã será um longo dia.
Apenas durma. Bom descanso.
Um dia serás diplomata.


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