À Deriva

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Ela se jogou na água cristalina que corria por baixo de seus pés para fugir dos tiros que vinham em sua direção.
O tubo subterrâneo possuía várias câmaras.

Cada câmara de água tinha uma porta de metal com timer, e ela atravessou por cada uma delas antes que as portas se fechassem.
Porém, na última porta, não conseguiu.
Foi empurrada e deixada para trás.

Respirou fundo e esperou a água subir.
O tanque parecia um aquário de vidro, com poltronas, quinquilharias e plantas.
A água rapidamente encheu o pequeno aquário em que estava.

Segurava o ar e pensava se conseguiria sobreviver até a porta se abrir novamente.
Pessoas do lado de fora passavam, procurando, olhando curiosas.

Escondeu-se no lustre, enrolando-se em uma corda, deixando o cabelo virar parte da decoração.

O timer passou.
A porta se abriu.
Saiu e pegou o prêmio final.
Não havia nenhuma classificação para si.

A sobrevivência já era seu grande prêmio.

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Entre o real e o imaginário, me reconheço em Albert Camus: “Nunca me senti tão profunda e, ao mesmo tempo, tão alheia a mim — e tão presente no mundo”.

Vanessa (Veedeli)